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a poesia existe nos fatos  (o.a.)

museu é o mundo (h.o.)

A Revolução Francesa, a mudança da família real para Versalhes, e o espírito enciclopédico Iluminista possibilitaram a criação do Museu do Louvre em 1793 em Paris. O antigo Palácio de moradia da nobreza se tornava um lugar público, abrindo a coleção real à sociedade. Em São Paulo, na década de 1950, o Edifício Louvre é projetado por João Artacho Jurado. Cada bloco recebeu, desde o início da incorporação, o nome de um pintor importante da História da Arte: Da Vinci, Rembrandt, Velázquez e Renoir.

 

Em alusão ao museu parisiense, o Edifício Louvre exibe uma reprodução da Mona Lisa em um dos halls de entrada. O bloco dos fundos, por sua vez, foi nomeado de Pedro Américo, o que não aparece, porém, registrado no espaço. O museu do louvre pau-brazyl surge da relação entre esses dois Louvres. Encarando o Edifício como um ready-made de museu, cria-se uma franquia-ficção. Interessa jogar com os deslocamentos dos museus globais e o processo de abertura de franquias, como a iminente sede do Museu do Louvre em Abu Dhabi.

 

O discurso oficial do Museu a define como um produto do Iluminismo do século XVIII da Europa. Essa posição endossa o desejo de um centro de poder influenciar a maneira como a periferia se pensa esteticamente, revelando a força, ainda, do imperialismo e da colonização cultural. No Brasil, um marco da imposição de formas expressivas e estéticas europeias é o desembarque da Missão Artística Francesa no século XIX. A sua função era desenvolver culturalmente a colônia, que havia se tornado capital com a chegada da Corte portuguesa.

 

A Antropofagia e a Tropicália são os dois principais movimentos no século XX que apresentam reações complexas às influências externas na produção cultural brasileira, sem defender uma noção nacionalista e identitária, mas sim a mestiçagem imanente das construções estéticas. A mistura do primitivo com as vanguardas como nossa originalidade. Cabe também questionar o lugar de Artacho Jurado em oposição aos grandes arquitetos de museus.

 

Atualmente, os chamados starchitects são indissociáveis da concepção dos museus globais. A arquitetura escolhida é anterior às escolhas dos caminhos de pesquisa e curadoria. Propõe-se pensar quais os sentidos e os efeitos da arquitetura escolhida para os museus; e como repensar a imagem de Artacho, excluído do panteão dos arquitetos modernos brasileiros, agora um arquiteto estrela de um museu brazyleiro. As áreas comuns do Edifício Louvre, em especial o mezanino, servem como plataforma e sede do projeto, espaço físico e crítico que provoca indagações sobre como e porque um edifício homônimo ao museu parisiense pode servir de ambiente vivo para se pensar os limites institucionais da arte.

 

O gesto sutil de provocar a possibilidade da instalação de uma sede do Museu do Louvre em São Paulo reconhece a existência de um outro Louvre, onde acontece a exposição, propõe exercícios de deslocamentos, numa tentativa de desfazer o imperativo da instituição como agente neutralizador das tensões da arte, sem negar o ambiente catalizador e suas múltiplas contradições e potências.

g.g.+ j.v.

 

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